quarta-feira, 18 de maio de 2011

Estrelas

Os pés se arrastam pelos degraus do ônibus, o motorista olha lentamente para aquela figura estranha, lá fora cai uma chuva fraca, e o vento gelado de inverno corta os corações como uma faca quente. Naquele meio de transporte, as pessoas são indiferentes, e o mundo parece ser um filme mudo passando em um preto e branco nauseante. Mas há sempre o brilho das estrelas no céu negro, e como uma estrela, os olhos dela brilham, voltando-se como um último raio de esperança para um homem perdido na névoa densa de seus próprios pensamentos.
Aqueles olhos o resgatam, o tiram à força de seu transe febril. E ele se sente vivo pela primeira vez em muito tempo.

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