segunda-feira, 16 de maio de 2011

Vietnã- Horrores da Guerra

A lama formara uma crosta em suas botas que atraía moscas, os mosquitos se tornaram tão banais que ele nem mesmo os sentia, a umidade era insuportável, e seus inimigos eram invisíveis.
Essa é a descrição do Recruta Mathew O´Donnel, ou Matt como era chamado por seus companheiros, embora ele já perdesse a conta de quanto estivera naquele inferno, faziam-se 513 dias desde que saíra de Boston para entrar nessa maldita guerra, o ano é 1969, quase um ano após a ofensiva do Tet.
Há alguns meses atrás Matt nunca havia posto um cigarro na boca, mas agora ele acendia o sexto no dia, ele aprendera que na guerra, o cigarro é a única coisa que disfarça o cheiro de morte no ar. O capacete o fazia suar como um porco, e o suor fazia o capacete escorregar na sua cabeça. Ele ria ao lembrar que durante o treinamento antes de entrar no campo de batalha, disseram a ele que aquele era o melhor equipamento que um soldado podia ter, e que o rifle que ele carregava desde então, um M-16, era o melhor que havia. No primeiro dia de batalha ele percebera que aquilo tudo era mentira, com alguns dias de uso seu rifle travou durante um assalto à uma aldeia norte - vietnamita, enquanto os VCs(eram assim que chamavam os vietcongs) atiravam sem parar com suas AK-47.
O pelotão agora chegava em uma aldeia, não importa quantas vezes eles fizessem aquilo, nunca seria fácil, nas aldeias todos eram inimigos em potencial, e nenhum dos seus companheiros queria morrer naquele buraco. Para Matt todos os vietnamitas eram iguais, aqueles olhos puxados lhe davam nos nervos. Todos tinham uma cara de zombaria, eram olhos do demônio, ele dizia a seu pelotão. Mas a verdade é que eles se sentiam do mesmo jeito em relação aos Joes(como eram chamados os soldados americanos).
Seu rifle já se tornara parte dele e ele estava atento como nunca, ele apontava a arma para os aldeões, enquanto o capitão gritava algo em vietnamita para eles. De repente um tiro, todos deitaram, Matt olhou ao redor e viu o capitão ferido se arrastando, seu rifle disparou uma rajada de morte em um aldeão próximo. Um homem de seu pelotão gritava freneticamente enquanto arremessava granadas:- Fogo na área! Os outros atiravam para todos os lados e o cabo que tinha o rádio pedia apoio aéreo. Era tudo uma loucura. Matt correu para trás de uma pedra próxima e tirou algo do bolso, o capitão havia lhe dado aquilo para uma ocasião de risco, era uma pílula. Ele a enfiou goela abaixo e começou a atirar nos vietnamitas, ele viu uma mulher tombar morta com um tiro que lhe arrebentou a cabeça, não havia nada de novo nisso, Matt repetia para si mesmo, enquanto atirava. O homem do rádio gritou:- Apoio aéreo iminente! Matt sabia muito bem que era hora de correr de volta para fora da aldeia, os F-4 Phantoms não eram lá muito precisos com suas cargas de Napalm. E então ele ouviu o barulho ensurdecedor dos motores daqueles anjos da morte, Matt olhou para trás a tempo de ver o Napalm detonar e pôr fogo em toda a aldeia, os VCs corriam enquanto pegavam fogo, a cabeça do recruta rodava e ele pôs a cara no chão lamacento da floresta e pôs sua ração diária para fora. Era Guerra, Era o Vietnã.

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